UM POUCO DE HISTÓRIA SOBRE O RÁDIO CONTROLE

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Mensagem por cineas em Ter 12 Jul - 13:26:09

Recebo do colega aeromodelista caxiense Caetano Pettinelli as fotos e uma breve descrição de um radiocontrole VALVULADO!!! Isso mesmo, o equipamento funciona ( porque embora ninguém ainda tenha ousado colocá-lo num modelo ) está em perfeitas condições, uma vez que jamais foi instalado!!!
Trata-se de um equipamento da marca Graupner adquirido em 1957 na loja de Hermann Kurtz em Sttutgart - Alemanha.
Como os RC atuais, esse modelo da Graupner é composto de um transmissor, um receptor e um "cinemático" ( equivalente aos atuais servos ).
O transmissor é montado numa caixa de 12,5 x 22,5 x 9,5 cm e pesa 1,4Kgr - sem as baterias!!! Duas de 7,5 volts e mais uma de 1,5 volt para ali-
mentar o filamento da válvula tranmissora.
O receptor tem duas válvulas DL92 e uma DM 70. É alimentado por duas baterias de 3,0v em série e outra de 1,5 volt somente para os filamentos das
válvulas. O acionamento dos comandos é feito através de pulsos produzidos pelo transmissor, cuja duração longa ou curta, determinam qual dispositivo será acionado no modelo.
No caso do Caetano o modelo dele é um barco cujos comandos acionam o leme e o motor. Os pulsos longos ( tempo maior apertando obotão do transmissor) comandam a direção do modelo e pulsos curtos atuam no motor ( prá frente - parado - para traz ).
Devido a esse sistema de controle esses rádios eram conhecidos, por motivoc óbvios, como "Pic-Pic".
O transmissor custou na época DM 158,00 ( marcos alemães ); o receptor DM 72,70 e "cinemático" ou Kinematic como era chamado DM 17,20.
Vamos as fotos.
UM POUCO DE HISTÓRIA SOBRE O RÁDIO CONTROLE Tn_Transmissor UM POUCO DE HISTÓRIA SOBRE O RÁDIO CONTROLE Tn_Receptor UM POUCO DE HISTÓRIA SOBRE O RÁDIO CONTROLE Tn_Kinematic
O Transmissor O receptor O "cinemático" ( servo )






O COMEÇO DO RADIOCONTROLE NO BRASIL
Nas minhas andanças pela Internet descobri um site de Nautimodelismo feito pelo Luiz Netto para o Edmar Mammini, ali está o relato feito pelo próprio Edmar onde ele narra os primórdios do RC no Brasil.
Esse texto não poderia deixar de figurar numa pagina que tenta passar informações sobre RC, mais ainda numa seção chamada MUSEU DO RC ! ( que petulância... )
Agradeço a gentileza do Edmar em autorizar a transcrição. Leiam e aproveitem.

MANO


UM POUCO DE HISTÓRIA SOBRE O RÁDIO CONTROLE EM SÃO PAULO
Edmar Mammini
O que será citado aqui é produto de memória e não de pesquisa, portanto sujeito a erros, não graves mas sempre erros. Portanto desculpem certas falhas, mas é melhor isso do que nada.
No inicio dos anos 50 uma pessoa de nome “Ernest Konrad” conseguiu montar um kit americano de rádio controle que funcionava, não lembro a marca. O avião era um Pipper Cub com 2,40 de envergadura de asas, de propriedade do Sr. Felice Cavalli.
Era possível se voar em Congonhas, não na pista principal mas na secundária que era chamada de 16. (?)
A segunda pessoa que montou um rádio controle foi o Sr. José Mendes , e a terceira fui eu.
Os rádios eram montados e não feitos e sempre foram, dado que os componentes eram importados todos ,donde, dizer que fez um rádio era pura mentira.
Falando em técnica da época, e vale a pena saber, para quem entende de radiotécnica, é um prato cheio. Os rádios eram da seguinte forma:
Transmissor; normalmente usava-se uma válvula 3A5, que era um duplo triodo, com tensão de placa de 67,5 V e 1,5 ou 3 de filamento. Era um oscilador livre sem comando a cristal, e usava-se um circuito flip-flop como se fosse um multivibrador atual. A potência irradiada era da ordem de 3 Watts , a freqüência da ordem de 27,255MHz, não possuía modulação .
O sistema de transmissão era comutar a portadora, cada comando dava-se um pulso de RF (rádio freqüência ).
Receptor: Era do tipo regenerativo, as válvulas mais usadas eram, RK-61 ou XFG-1, eram triodos a gás, muito sensíveis e seu ganho era enorme, ela estava diretamente ligada a um relê que marcou época era o Sigma 4F, era um relê ultra sensível, possuía uma resistência ôhmica da ordem de 5.000 e estava diretamente acoplado a corrente de placa.
A tensão de placa era de 22,5V e de filamento 1,5 V.
Vale a pena se lembrar que transistor era uma invenção nova e que não havia chegado ao mercado, era simplesmente uma novidade em estado de experiência.
Os rádios não possuíam servos, o que dava o movimento aos lemes eram dispositivos chamados em inglês de “scapement”; esse dispositivo era composto de uma catraca de quatro tombos e cuja torção era tocada a elástico torcido o mesmo elástico que se usava na época para virar hélices de certos aeromodelos.
Os primeiros rádios só possuíam um canal e não proporcional, era assim um pulso era direita ,outro centro outro esquerda, outro centro e assim sucessivamente. Era necessário ser bom de dedo para pilotar um aeromodelo. O comando era no leme de direção e não no aileron.
A primeira loja a importar kits de RC (rádio controle) foi a Mobral era na Rua Marques de Itu, e não lembro o número; isto em 1954. Mobral era Modelismo do Brasil e não o malfadado movimento de alfabetização de adultos do regime de exceção. Eram da marca “Lorenz” ( made in USA) .Cheguei a montar alguns deles e todos funcionavam bem até a uma distância de 500 m .
A partir de 1956 começaram a chegar ao Brasil rádios já prontos para se instalar e voar, haviam algumas marcas, a saber De Bolt , Babcock, Heat, Avionics e outros que não me lembro.
A onda começou a pegar mesmo em 59/60 quando apareceram o primeiro proporcional de um único canal da Babcock, o Aristo Kraft com modulação em AM, o ED ( eletronics developments) era inglês, foi o primeiro rádio de três canais não simultâneos, com modulação em AM e com filtro de tom mecânico era “Reed Banks” sistema que pegou bem no mercado e durou até a entrada em operação do proporcional.
Os alemães entraram com toda a força com um rádio mono e um tri-canal com uma inovação enorme, embora a válvulas, usavam pilhas comuns de 1,5V do tipo grande com 9 pilhas. O receptor usava 6 de 1,5 V da pequena e alimentava também os servos. Sua marca “Metz Mecatron”. Nos outros rádios usava-se 1 pilha para o filamento 1,5 V, uma pilha para a placa 22,5V e 4 pilhas de 1,5 para os servos ou catracas. Os alemães inovaram e venderam muito na época. Mas não sei porque sumiram do mercado.
Em 1957 eu pus o primeiro rádio em um modelo de barco, só controlava o leme e era com servo, copiado do Babcock. Em 1959 instalei um ED de três canais sendo dois para o leme, sim lógico, os rádios não eram proporcionais e assim não seria necessário a seqüência poderia se dar esquerda e direita quantas vezes fosse necessário. O outro era motor; liga e desliga.
No inicio dos anos 60 começaram a aparecer os rádios de duplo comando ou seja já se podia acionar dois comandos de uma só vez. Possuíam de 6 a 12 canais não proporcionais. Os mais conhecidos eram Orbit, OS (japonês) ,e Kraft. Na mesma época a Babcock aparecia com o “galoping goast” foi o primeiro proporcional e ainda a válvula, logo em seguida passou a ser válvula na RF e transistor no áudio.
O Kraft copiou mas o sistema não pegou porque comia pilhas; em 15 minutos ia um pack.
Nos anos 68/70 apareceram no Brasil os primeiros rádios totalmente transistorizados e proporcionais sua marca “Bonner” USA, mais ou menos como os de hoje, com dois stics de uma função e em seguida o Orbit com um stic de três funções mais um botão não proporcional.
O primeiro rádio com a conformação dos de hoje com dois stics de duas funções, e mais outros botões de funções proporcionais foi o Kraft. Foi o rádio mais usado na época. Custava caro, cerca de 600 US Dollar.
Nessa época duas firmas tentaram vender rádios em kits para montar e era proporcional , eram a Micro-Avionics e a HeatKit, não colou em parte alguma do mundo e elas sucumbiram.
Em 1970 apareceu o primeiro rádio Futaba, também na mão do Cavalli da Mobral mas ele não se deu conta de que tinha um quinhão na mão, lhe estavam oferecendo a representação para o Brasil.
Nessa época apareceu uma firma japonesa montando rádios no Brasil , era uma firma que montava rádios para automóveis seu nome não lembro, e seu rádio era o Sanwa japones.
A Aerobras representava a OS tanto com motores como rádios, e no momento o quente era ter um Kraft. Futaba era um ilustre desconhecido.
Com o passar dos anos , ou melhor após os anos 70 pouco ou nada se inovou nos rádios em comparação com os primórdios, sofisticaram e melhoraram as performances, mas em termos, são todos iguais desde então.
A única inovação que realmente acho que valeu a pena é o PCM (pulse code modulation) , esse sim é um rádio micro processado que tem uma grande imunidade a interferência externas ou mesmo internas, não se livra de outro na mesma freqüência nunca, mas é bem mais confiavel do que qualquer outro rádio que já apareceu até o presente momento.
Hoje em dia falar em rádio controle é falar em Futaba, os demais sequer eu sei o nome e se existem representantes no Brasil deles.

Galeria de Radios
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